Comitiva russa conhece estrutura da ZPE e avança tratativas para instalação de indústria de fertilizantes no Acre

A visita técnica de empresários russos à Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre, em Senador Guiomard, no sábado, 7, consolidou um dos movimentos mais relevantes da agenda internacional de comércio do governo do Estado nos últimos anos. A programação foi desdobramento da missão oficial realizada à Rússia em novembro de 2025 e integra a estratégia de inserção do estado em novas cadeias globais de valor. O foco central é a instalação de uma indústria de fertilizantes orgânicos voltada ao mercado regional e à exportação. A agenda reuniu autoridades do Executivo, representantes do setor produtivo e dirigentes da Câmara Brasil-Rússia.

O governo apresentou o novo desenho operacional da ZPE, destacando a regularização fundiária dos lotes, a atualização dos instrumentos jurídicos e as melhorias estruturais executadas para garantir segurança institucional aos investidores. O complexo integra a estratégia logística da chamada Rota Quadrante Rondon, corredor que conecta o Acre aos portos do Pacífico por meio do Peru, ampliando a competitividade das exportações. A localização estratégica posiciona o estado como ponto de entrada e saída de mercadorias na América do Sul, alcançando um mercado estimado em mais de 30 milhões de habitantes em um raio de mil quilômetros entorno do Acre.

“Essa comitiva é de representantes da União de Produtores de Fertilizantes e Melhoramento de Solos da Rússia, que congrega mais de 300 empresas. Apresentamos a ZPE, que dispõe de 117 terrenos disponíveis e incentivos especiais, expusemos nossa realidade e mostramos um pouco da produção acreana. Eles têm querem implantar uma indústria de fertilizantes orgânicos aqui, que atenderá o mercado do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Bolívia e Peru”, afirmou o secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), Assurbanípal Mesquita. Segundo ele, a proposta apresentada pelos investidores eleva o patamar do nível industrial acreano e gerará empregos.

Para o presidente da Câmara Brasil–Rússia de Comércio, Indústria e Turismo, Gilberto Ramos, o encontro simboliza o amadurecimento das articulações bilaterais. “É uma grata satisfação viver esse momento, após conexões importantes com a vice-governadora e com a Universidade Federal do Acre. Estamos iniciando análises técnicas de solo para identificar que tipo de implementos e suplementos agrícolas orgânicos podem ser utilizados. Planejamos, dentro do possível, estruturar o escoamento da produção brasileira para mercados estratégicos, inclusive com conexões com o porto de Xangai. É um trabalho longo, mas que já começa com uma construção coletiva”, disse.

O secretário de Estado de Planejamento (Seplan), Ricardo Brandão, avaliou que a presença da comitiva no Acre representa um avanço concreto na consolidação da ZPE como meio de desenvolvimento industrial e socioeconômico. “Instalar as primeiras indústrias aqui é um desafio do governo, por isso trabalhamos de forma contínua para atrair grandes investidores. Essa comitiva chega com perspectiva de firmar negócios e assegurar a entrada no Brasil, por uma área estratégica da América do Sul, essenciais para diversificar parcerias econômicas”, declarou. Ele lembrou que o projeto é alinhado ao planejamento de desenvolvimento de longo prazo do estado.

Na avaliação do coordenador da Casa Civil, Ítalo Medeiros, o setor de fertilizantes dialoga com o modelo de crescimento defendido pelo governo. “São investidores interessados em fortalecer relações com o Acre. A indústria cai perfeitamente na nossa região. Falamos em preservar, mas também precisamos produzir mais nas áreas já consolidadas. Peru e Bolívia entram como atores estratégicos nesse processo. Agora, o trabalho central é tirar essa intenção das ideias e avançar em acordos para que essa planta industrial contribua para alcançar esses objetivos”, reforçou ele.

O deputado estadual e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa (Aleac), Luiz Gonzaga, avaliou a visita como produtiva e destacou que a iniciativa pode reduzir a dependência externa de insumos e ampliar a competitividade dos produtores locais. “É um momento histórico para o estado do Acre. A proposta que eles trazem condizem com o nosso trabalho por uma forte industrialização que ajude o nosso estado a crescer. Parabenizo o governador Gladson Camelí e a vice Mailza Assis por esse diálogo. É uma oportunidade excelente e o Legislativo sempre estará ao lado do governo para trazer desenvolvimento e dias melhores para a nossa população”, falou.

Representando o setor produtivo, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), Assuero Veronez, afirmou que a aproximação internacional sinaliza reconhecimento das potencialidades regionais. “O Acre tem vantagens competitivas, mas enfrenta custos elevados. Quando surgem grupos interessados em trazer soluções que diminuam esses custos e facilitem a produção, isso é fundamental”, analisou. Para ele, a continuidade das negociações será determinante para transformar a agenda diplomática em investimento concreto no estado e reposicionar a unidade federativa como novo modelo de polo agroindustrial em toda a Amazônia.

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