O Valor do Lento

Vivemos sob a ditadura do imediato, em que a espera é vista como fracasso e o silêncio como tempo perdido. Essa aceleração desenfreada tem cobrado um preço alto: a mente humana, incapaz de processar o grande volume de informações e cobranças, transborda em forma de ansiedade. O que antes era resolvido com uma caminhada ou uma conversa, hoje busca-se sanar com algo químico. A medicação, embora necessária em muitos casos, tornou-se para muitos um “atalho” para silenciar angústias que, na verdade, precisariam de tempo e reflexão para serem compreendidas e curadas.

Nesse cenário, o “lento” deixa de ser um defeito e passa a ser uma estratégia de sobrevivência. Queremos que a vida tenha a velocidade de um clique, esquecendo que os processos mais vitais da existência humana como o aprendizado e o amadurecimento possuem um cronômetro próprio que não aceita aceleração. Ao tentarmos pular etapas, cria-se um sujeito, que sabe de tudo um pouco e ao mesmo tempo quase nada. A pressa nos impede de contemplar o caminho, fazendo com que cheguemos ao destino exaustos demais para desfrutar da conquista.

Essa necessidade de respeitar o tempo certo das coisas encontra respaldo no livro de Eclesiastes, capítulo 3 versículo 1, “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Há um tempo para plantar e outro, obrigatoriamente posterior, para colher. Quando tentamos colher antes da hora, o fruto é amargo. A ansiedade moderna é, em essência, a tentativa humana de atropelar o tempo de Deus, querendo viver o amanhã sem ter a estrutura necessária para sustentar o hoje.

Portanto, resgatar o valor do lento é um ato de bravura contra um mundo que quer nos transformar em máquinas, cumpridores de metas. Precisamos aprender a “correr com paciência”, entendendo que a verdadeira eficiência não está na velocidade, mas na direção e na qualidade de viver o presente. Que possamos, entre um compromisso e outro, permitir que a alma alcance o corpo, lembrando que a vida não é uma corrida de cem metros, mas uma longa jornada onde o fôlego e a contemplação valem muito mais do que a pressa de chegar a lugar nenhum.