Vivemos sob a égide de uma cultura que santifica o “fazer” em detrimento do “ser”, transformando escritórios e repartições em arenas de uma competição invisível. Empresas e órgãos públicos, movidos por uma sede insaciável por números, impõem aos seus colaboradores metas que ignoram a capacidade de cada indivíduo. Nessa “ditadura da produtividade”, o valor de um profissional é reduzido a uma planilha de desempenho, em que o tempo que deveria ser dedicado à família, ao descanso e à espiritualidade é confiscado para alimentar engrenagens que nunca se dão por satisfeitas.
O resultado dessa dinâmica é uma geração de trabalhadores funcionalmente esgotados, cujas gratificações financeiras e bônus por resultados chegam recheados de distúrbios mentais e síndromes, como o Burnout. O sucesso, antes medido pela estabilidade e pelo bem-estar, hoje é frequentemente acompanhado por diagnósticos de ansiedade e depressão. Instituições que ignoram a saúde mental em nome do lucro ou da eficiência burocrática falham em sua missão social, esquecendo que por trás de cada matrícula ou crachá existe um ser humano que carece de equilíbrio para não sucumbir.
Essa cegueira institucional ignora a advertência bíblica presente em Salmos 127:2, que nos alerta: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono”. A busca desenfreada pelo acúmulo e pelo cumprimento de metas a qualquer custo é um “pão de dores” que não sustenta. Quando o sistema exige que o homem trabalhe como se não tivesse limites, ele afronta o descanso que é, por princípio, um direito divino e uma necessidade vital para a manutenção da dignidade humana.
Portanto, não podemos aceitar que a nossa identidade seja moldada apenas pela nossa capacidade de entrega em detrimento de uma produtividade que sacrifica o essencial em função do urgente, enquanto nossas famílias recebem apenas os restos de nossa energia e paciência. Que possamos resgatar a coragem de estabelecer limites, compreendendo que nenhuma meta batida justifica uma mente destruída ou um lar ausente. Afinal, de que serve conquistar o topo de uma métrica se, ao chegar lá, não restarem saúde para celebrar.
