
Estava tranquilamente tomando um café para voltar a trabalhar, quando recebo, pelo WhatsApp, um vídeo enviado pelo meu filho, no qual o narrador criticava aquilo em que se transformou a política brasileira, onde todos gritam, se acham militantes persuasivos e, prioritariamente, odeiam o adversário.
Estamos vivenciando a campanha presidencial mais pobre (de conteúdo, logicamente) e rasa que já existiu. Ouvi, certa vez, de um político experiente que “proposta não dá voto”. Eu, que acompanho atentamente a política nacional há muitos anos, achei que já tivesse visto o que há de mais pobre e vil nas eleições presidenciais de 2018 e 2022 e, sobretudo, na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, assisto, estático e borocoxô, a campanha mais estéril desde a redemocratização.
É um tudo de nada o tempo todo!
No texto “A esquizofrenia da política tupiniquim”, publicado em 2019, no site Diário do Acre e reproduzido posteriormente no livro “Vem Comigo… No caminho eu explico”, eu alerto, já naquela época, que: “Estamos vivendo tempos difíceis e sombrios na política nacional. Ter opinião é um perigo! Emiti-la, uma imprudência! Pessoas que outrora se gostavam estão se tornando inimigas, pelo simples fato de pensarem de forma diferente quando o assunto é política”.
E aí, você acha que evoluímos ou involuímos? Estamos, como sociedade, mais raivosos e odientos ao contraditório do que há dez anos?
Em outro trecho do texto, prossigo dizendo que: “Se você critica os dois extremos, é chamado de ambos! Transformam tragédias e massacres em palanques políticos decorados de ódio, rancor e patifaria”
Alguma semelhança com o que estamos vivendo hoje?
Enquanto os “torcedores políticos” se agridem no andar debaixo, deixando, tal qual o torcedor de time de futebol, qualquer vestígio de racionalidade de lado, no andar de cima os “Vorcaros da vida” continuam esbofeteando nossas fuças e vendendo a pátria em “tenebrosas transações”.
Afinal, como finalizei o texto de anos atrás, continuamos “ocupados em defender cegamente um lado – mesmo sem saber exatamente o porquê – e em odiar o outro, com todas as forças. Não sobra espaço para o bom senso. O Brasil precisa de terapia.”
Nada mudou! E, se mudou, foi para pior! E daqui a poucos dias iremos às urnas novamente e, novamente, ao final da apuração, terá uma metade do estádio comemorando um “título” e a outra lamentando e colocando a culpa no bandeirinha que não deu o impedimento.
E os “Vorcaros da vida”? Eles são ambidestros e jogam em qualquer gramado. Não estão nada preocupados com as nossas “torcidas”.
