Rodrigo Farias

Passada a eleição, finalmente o ano vai começar. Mas daqui a poucos dias já estaremos debatendo a cor do Papai Noel da Praça da Revolução. Depois tem réveillon e Carnaval. Vamos deixar tudo para março de 2027! Boa sorte e responsabilidade aos vencedores; serenidade e aprendizado aos derrotados. E segue a vida. Um brinde à democracia.
Campanha no Acre
Aqui no nosso quintal, a campanha correu como sempre: desde o primeiro turno, muita alegria, adesivaços, bandeiraços e, principalmente, muita grana rolando solta pelas nossas ruas. Nada de novo sob o sol.
Ela tem votos
Revisitando os resultados das urnas nas eleições no Acre, destacamos algumas surpresas positivas e negativas, grandes vitoriosos e enormes derrotas. Incontestavelmente, a grande vitoriosa foi a governadora reeleita Mailza Assis. Bateu 49,76% dos votos válidos no primeiro turno e 66,21% no segundo, deixando no passado os corriqueiros comentários de que era uma política “sem votos”, que nunca tinha sido testada nas urnas. Obteve 272.635 votos e sai extremamente forte deste pleito. Que tenha êxito na missão.

Copo meio cheio, meio vazio
O senador reeleito Marcio Bittar é um caso de como se olha um copo que está pela metade de água. Para alguns, estará meio cheio; para outros, meio vazio. Bittar foi reeleito sem dificuldades, mas não conseguiu, mais uma vez, eleger o filho João Paulo, que perdeu a vaga por uma pequena diferença de votos em relação ao adversário. Júnior Betão foi eleito deputado federal com apenas 292 votos a mais que o filho do senador. Em 2016, João Bittar perdeu uma vaga na Câmara de Rio Branco para Clézio Moreira por 154 votos. E, por fim, viu seu candidato a presidente ser ultrapassado por Lula no segundo turno.
Ministro
Nos bastidores da política acreana, já se discutia qual ministério o senador ocuparia caso Flávio Bolsonaro ganhasse a eleição. O copo entornou.
Sem identidade
O ex-senador Jorge Viana fez a opção por uma campanha sem identidade eleitoral. Em um cenário tão polarizado, não cabe o morno. É quente ou estupidamente gelado. Mara Rocha se vestiu de direita/bolsonarista e faturou o mandato.

I’m red
No sentido contrário ao de Viana, o professor Inácio Moreira, candidato ao Senado pelo PSOL, se autointitulou porta-voz do presidente Lula no Acre, fez questão de se afirmar como candidato de esquerda e obteve quase 20 mil votos, sem gastar quase nada. Inácio pode despontar como uma liderança emergente do campo progressista acreano.
Pouco
O ex-vereador de Rio Branco João Marcos Luz optou por uma campanha cujo mote principal era o ódio a Lula. Fez vídeos com camisas chamando o presidente de ladrão, foi para as esquinas com cartazes de “Fora Lula” e fez uma campanha linear. Teve uma votação bem abaixo do esperado por alguns colegas que ouvi e que cobriram a eleição. Foram 3.850 votos. Foi pouco. Mas o destino o levará, mais uma vez, a assumir uma cadeira na Câmara de Rio Branco. Com a vitória de Raimundo Neném para a Aleac, Luz assumirá sua vaga.
Muito pouco
Virgílio Viana, filho do ex-governador Tião Viana, quebrou a banca de apostas. Muita gente o colocava como candidato que brigaria por uma vaga ou, pelo menos, que seria muito bem votado. Não foi. Os 4.668 votos foram muito pouco diante da expectativa criada por alguns.

É assim que funciona
Assim que recebeu o resultado da eleição, o senador Alan Rick reconheceu a vitória de Mailza Assis e desejou boa sorte. É assim que se faz. Uma pena que nem todos ajam assim.
Estão grandes
O segmento da terceirização saiu grandão dessa eleição. Fagner Calegário se reelegeu mais uma vez com uma votação expressiva e, ao contrário de outras eleições, suas parcerias foram todas exitosas. Calegário apoiou Rueda para deputado federal e Mailza Assis para o governo. Outra referência do segmento, o empresário Jebert Nascimento, foi eleito primeiro suplente de senador na chapa encabeçada por Marcio Bittar. E, como se fosse pouco, o vereador Bruno Moraes, outro representante da terceirização acreana, desponta como favorito, nas rodas políticas, para ser o próximo presidente do Legislativo municipal.
Gangorra
Uma das disputas mais acirradas para a Câmara Federal se deu entre candidatos de partidos opostos. Pela regra do quociente eleitoral, a cada atualização das urnas, Perpétua Almeida (PCdoB) e Ney Amorim (MDB) se revezavam na lista dos eleitos. No fim, a comunista levou a melhor e retorna ao Congresso Nacional.
A saideira e a conta
“A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações.” – Winston Churchill –

