O Acre registrou a maior taxa de feminicídios do Brasil em 2025, atingindo a marca de 3,2 mortes para cada 100 mil mulheres, segundo o relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil” divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira (4). Com 14 vítimas fatais no último ano, o estado superou vizinhos como Rondônia (2,9) e Mato Grosso do Sul (2,7), apresentando um crescimento alarmante de 74,3% nos assassinatos de mulheres em razão de gênero em comparação a 2024.
Os dados revelam que o índice acreano é mais que o dobro da média nacional, que fechou o ano em 1,43 mortes por 100 mil habitantes. Enquanto o país computou um recorde de 1.568 vítimas — uma alta de 4,7% —, o Acre viu sua série histórica oscilar drasticamente, saltando de 8 casos em 2024 para os atuais 14. O estudo destaca que, embora a subnotificação tenha diminuído pela melhoria na classificação policial, a violência real no ambiente doméstico segue em ascensão progressiva.
Um ponto crítico do levantamento aponta a fragilidade do sistema de proteção no estado: 25% das vítimas de feminicídio no Acre em 2025 possuíam medidas protetivas de urgência ativas no momento do crime. Este percentual é quase o dobro da média brasileira (13,1%), evidenciando que a ordem judicial, isoladamente, não tem sido suficiente para frear os agressores. Especialistas alertam para a necessidade urgente de maior integração na rede de monitoramento e apoio direto às mulheres sob risco.
O perfil epidemiológico desenhado pelo Fórum indica que o risco é acentuado em municípios pequenos, com até 100 mil habitantes, onde a escassez de delegacias especializadas e casas-abrigo dificulta o socorro institucional. No recorte nacional entre 2021 e 2024, a maioria das vítimas é composta por mulheres negras (62,6%) e na faixa etária de 30 a 49 anos. Em cerca de 80% dos casos, o autor do crime é o atual ou o antigo companheiro da vítima, utilizando majoritariamente armas brancas.
A divulgação do relatório ocorre às vésperas do Dia Internacional da Mulher, reforçando o desafio de enfrentar crimes que, ao contrário dos homicídios ligados à violência urbana, crescem dentro das relações afetivas. Desde 2015, quando a lei do feminicídio foi sancionada, o Brasil já perdeu ao menos 13.703 mulheres para a violência de gênero, tornando o fortalecimento das políticas públicas uma questão de sobrevivência imediata, especialmente no Norte do país.
