Empresários adotam “cauteloso realismo” e divergem do otimismo estatal para 2026

O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento encerrou 2025 com um relatório que expõe uma clara dissociação entre a visão do governo e a do setor produtivo. Enquanto gestores públicos e financeiros demonstram otimismo baseados no crescimento do PIB e na estabilidade fiscal, os empresários mantêm uma postura de “cauteloso realismo”, termo que reflete um pessimismo prático diante de gargalos persistentes. Para a classe produtiva, os bons indicadores agregados de 2025 não foram suficientes para melhorar o ambiente de negócios, que continua travado por juros altos, endividamento e baixa competitividade.

Para 2026, a projeção é de um crescimento apenas moderado e condicionado a fatores específicos, e não a um desenvolvimento orgânico facilitado. O avanço econômico dependerá de quatro pilares essenciais: a efetivação de investimentos públicos e privados, o desempenho da agropecuária e, notavelmente, o comércio exterior. Neste último ponto, há um consenso positivo raro: a estrutura da Zona de Processamento de Exportações (ZPE) e a relação com os países vizinhos conquistaram a confiança do empresariado como vetores reais de desenvolvimento.

Em suma, o relatório indica que o novo ano será de consolidação, mas sem expectativa de uma recuperação robusta imediata. O crescimento dependerá menos de eventos isolados e mais da capacidade de coordenação institucional para remover entraves estruturais. A previsão dominante é de estabilidade ou melhora gradual, desde que haja alinhamento estratégico entre governo e empresas e que o cenário macroeconômico nacional permaneça estável.

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