A Polícia Civil do Acre concluiu, nesta terça-feira (27), o inquérito sobre o caso do recém-nascido que apresentou sinais de vida momentos antes do próprio sepultamento, em outubro de 2025. Uma médica e uma enfermeira da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, foram indiciadas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas há presença de negligência e imperícia. A investigação apontou que a falha no atendimento e a emissão de um atestado de óbito inoportuno foram determinantes para o falecimento definitivo da criança dias após o ocorrido.
Durante a coletiva de imprensa, o delegado Alcino Júnior revelou que o bebê, declarado natimorto após um parto prematuro extremo, permaneceu cerca de 12 horas sem assistência adequada, incluindo o período em que esteve no necrotério. A perícia do Instituto Médico Legal (IML), baseada em laudos cadavéricos e na análise de prontuários, confirmou que a ausência de cuidados mínimos durante esse intervalo contribuiu diretamente para o óbito. “Ainda que as possibilidades de sobrevida fossem pequenas, havia a obrigação constitucional de lutar por aquela vida”, destacou o delegado.
O inquérito, que contou com oitiva de dez servidores e análise de imagens internas da maternidade, já foi encaminhado ao Poder Judiciário. Embora os nomes das profissionais indiciadas não tenham sido divulgados pela Polícia Civil, o caso agora segue para o Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia formal. A cúpula da segurança pública ressaltou que o processo foi tratado com prioridade absoluta para garantir transparência e prestar contas à sociedade diante da comoção gerada pelo caso.
