A capital acreana amanheceu sem transporte coletivo nesta quarta-feira (22), após motoristas decidirem, em assembleia, pela paralisação total das atividades. Mesmo com a presença do prefeito Alysson Bestene na garagem das empresas, os trabalhadores rejeitaram a proposta de quitação dos débitos em até 48 horas e condicionaram o retorno imediato ao trabalho apenas ao pagamento integral dos salários atrasados. A paralisação ignora a recomendação legal de manter uma frota mínima, deixando milhares de passageiros desassistidos em toda a cidade.
Durante o impasse, a gestão municipal afirmou que possui um cronograma para separar as responsabilidades financeiras entre a Prefeitura e as concessionárias, prometendo solucionar as pendências até a próxima sexta-feira. A administração das empresas também solicitou um “voto de confiança” à categoria, sugerindo a retomada parcial dos serviços sob a ameaça de nova greve caso o prazo não fosse cumprido. No entanto, a base dos trabalhadores manteve-se irredutível, negando inclusive a orientação do Sindicato da categoria, que defendia a manutenção de 30% a 50% dos ônibus em circulação para evitar a ilegalidade do movimento.
O cenário atual é de suspensão completa do serviço, sem previsão de circulação de veículos ao longo do dia. Enquanto o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte (Sinttpac) se declarou solidário à causa, mas apreensivo com as sanções jurídicas pela falta de contingente mínimo, os motoristas reforçam que só ligam os motores com o dinheiro na conta. A Prefeitura segue em reuniões com as empresas para tentar antecipar os informes de pagamento e tentar desbloquear o sistema de transporte da capital ainda nesta semana.
