
Pode-se gostar ou não do estilo de João Marcos Luz, mas o que não se pode dizer é que ele não tenha um lado. Ao contrário, o jovem político costuma afirmar que é “direita de verdade”. Nas eleições de 2026, João Marcos foi candidato a deputado federal pelo PSDB e obteve 3.850 votos. Fez uma campanha mais baseada em críticas ao presidente Lula do que propriamente em propostas para o Acre. E garante que faria tudo exatamente igual: “Faria tudo de novo, e com ainda mais ênfase”, afirmou à coluna.
Com a eleição do vereador Raimundo Neném para deputado estadual, João Marcos deve assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Rio Branco. O ex-vereador James do Lacem também reivindica a vaga, mas Luz parece não se preocupar muito com a questão. “Esse próximo mandato na Câmara de Rio Branco é para continuar na trincheira defendendo Deus, Pátria, Família e Liberdade”, declarou, confiante.
O ex-vereador conversou com a coluna sobre eleições, aprendizados e planos futuros.
Confira:
ACP – Sua campanha foi mais baseada em críticas ao presidente Lula do que propriamente em propostas para o Acre. Passada a eleição, você faria tudo igual ou mudaria alguma coisa na estratégia de campanha? O resultado te surpreendeu?
JML – É fundamental deixar claro que estados e municípios, especialmente os mais pobres como o Acre, dependem fortemente da União. Quando o governo federal é ruim, com gestão sem planejamento, corrupção e leis que travam a economia, o impacto chega direto aqui: menos emprego, menos renda, SUS e Fundeb enfraquecidos, Suas e segurança pública comprometidos, fronteiras abandonadas e infraestrutura parada. A dívida interna só cresce e isso freia o desenvolvimento do estado.
O que busquei mostrar na campanha foi exatamente isso: o Acre precisa de representantes com coragem de chegar em Brasília e falar o que o estado realmente necessita. Precisamos de autonomia financeira e de capacidade real de investir em infraestrutura e nas pessoas, e não de um governo que apenas paga salário de servidor público. O acreano precisa entender que o voto mais importante, hoje, é o de deputado federal e senador, porque o poder está cada vez mais concentrado no Congresso Nacional.
Faria tudo de novo, e com ainda mais ênfase. Busco ser uma liderança que convence pelo que diz e pelo que defende, não uma figura superficial que se elege apenas pelo poder econômico. Muitos me disseram: “João, sem dinheiro você não ganha”. A única surpresa foi ver gente que gastou muito e também não passou. Da minha parte, continuo na mesma pregação. Fora Lula.
ACP – No cenário nacional, assim como na eleição para governador, seus candidatos foram derrotados. As derrotas deixam algum ensinamento? Como você analisa as campanhas de Tião Bocalom e Flávio Bolsonaro?
JML – Como diz o senador Márcio Bittar, quem perde uma disputa muitas vezes é quem mais ganha, porque adquire conhecimento. Ninguém controla totalmente como uma campanha começa nem como termina. Tudo pode acontecer. Nas duas eleições, a máquina fez a diferença. No caso nacional, a “paradinha” do ministro Zanin pesou, assim como em outros episódios que geraram questionamentos.
Na minha visão, Tião Bocalom era o melhor candidato a governador no primeiro turno. No segundo, votei e pedi votos para Mailza Assis. As derrotas deixam aprendizado: unidade e organização fazem diferença, e o campo conservador precisa refletir sobre isso sem abrir mão dos princípios.
ACP – Com a eleição do vereador Raimundo Neném para a Assembleia Legislativa, você deverá, mais uma vez, assumir uma cadeira na Câmara Municipal de Rio Branco. Porém, algumas pessoas questionam a legitimidade desse novo mandato em decorrência de sua desfiliação do PL. Como anda esse processo? Você tem acompanhado?
JML – Fui convidado a sair do PL. Não era o que eu queria, mas me deram uma carta de anuência deixando claro que a saída era amigável e que eu poderia retornar ao partido. Para ser primeiro suplente é preciso ter votos, e eu tive. Sou direita de verdade, e esse próximo mandato na Câmara de Rio Branco é para continuar na trincheira defendendo Deus, Pátria, Família e Liberdade.

